Vou continuar aqui fazendo de conta que sou mesmo essa fortaleza que tantos pensam e esperam que eu seja. Continuarei então impenetrável, fingindo que nada sinto, simulando que as flechas não me perfuraram até as entranhas e que não estou aqui a cuspir pedaços de mim mesma. Interpretarei o monstro que quando chega em casa e se despe da fantasia, prova que também é composto de carne e osso e se desfaz em lágrimas - mas que isso, claro, ninguém vê. Vou seguir o meu caminho ouvindo que as pessoas acham que eu não me importei quando, na verdade, uma opção não exclui necessariamente a outra. a minha vida não é um teste de “assinale a alternativa correta”, é somatória… é uma grande página onde as coisas e pessoas se interceptam e elas sempre escolhem por quanto tempo pretendem permanecer.
Prosseguirei então estigmatizada e sendo taxada das piores coisas que alguém pode ter que lidar, mas prosseguirei sempre. Em contrapartida, minha consciência continuará justificando pra mim mesma que, não importa o que os outros pensem ou falem, não existe em mim o cultivo de nada que seja perverso. Nem quando alguém se demonstra verdadeiramente merecedor, porque, no fim, não valeria mesmo à pena.
Espero um dia me deparar novamente com esses fragmentos que me caíram pela estrada e que eu esteja com uma super bonder em mãos porque, sinceramente, eu me importo com a ausência deles.
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