sábado, 16 de abril de 2011

Eu olho para trás e você ainda é aquele ali, parado na calçada, sorrindo meio desengonçado, esperando que eu abra o portão. Esperando que eu te abrace e depois te beije, e que te diga que sua camisa não combina com sua calça. Eu olho para trás e você ainda é o meninão que ri das minhas piadas, que passa a tarde inteira jogando conversa fora com meu pai, enquanto eu vou ao salão, que sabe que odeio quando passa a barba piniquenta (e que sempre faz para me ver ficar brava). Eu olho para trás e você ainda é o homem que me faz mais mulher, que me arrepia por inteiro, que diz meu nome com amor, que me segura pela cintura e aperta forte meu corpo contra o seu. Eu olho para trás e você ainda é o amigo que me ouve, o único que me conhece por inteiro, de alma, que conhece cada centímetro de mim. Conhece todas minhas manias, todos os meus sorrisos, todos os meus olhares. Eu olho para trás e você ainda é o confidente que sabe meus segredos, meus medos, meus desejos, meus sonhos.
Mas quando eu olho para trás, você está, atrás. E cada vez mais atrás, e diminuindo, e indo embora. E se tornando mais uma lembrança do que uma presença, mais uma foto no mural do que uma ida à praia, mais uma página do diário (algumas páginas) do que um filme no fim da tarde. Um amor que veio, fez tormenta, tirou o sono, fez o teto cair e o chão fugir. Devastador. Mas que resolveu partir, assim, sem mais nem menos, como quem não quer nada. Foi como a chegada do inverno. Eu olho para trás e vejo um amor que foi um sonho bom, uma lembrança eterna.
E de repente, bum!!! É hora de olhar para frente, e ver que a vida está acontecendo, e que há alguém pra se olhar. E eu olho para frente e me despeço dessa vida, sorrindo com alegria e abrindo meu coração com emoção para a brisa de primavera que traz outra vida, outras emoções, outros contos, que traz mais prosa e poesia, e que trará talvez meu amor.

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